Mais uma aventura do The Running Couple, desta vez na Serra da Estrela... Venha daí!

Ao que nos foi dito por quem é mais entendido nesta atividade, este é o percurso mais vertical que se pode fazer em Portugal Continental. E agora que olhamos para a distância e nos parece ridícula (11km) - face à nossa preferência atual que ronda os 25km - rapidamente contemos o auto desdém quando fazemos a conta à inclinação: quase 130mt por km!

O percurso é maravilhoso e faz-nos sentir em plena comunhão com esse património natural magnífico que é a Serra da Estrela, chegando ao final com a sensação de que a passamos a conhecer profundamente, não só na sua dimensão física, mas também no seu humor, temperamental e imprevisível, que passa, em poucos metros/minutos, do sol radioso que nos acolhe, ao cerrado nevoeiro que nos repele de forma ameaçadora!

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Começamos em Loriga, uma vila pequenina e muito acolhedora com a sua praia fluvial que foi eleita, nessa categoria, uma das 7 Maravilhas de Portugal.

Inicialmente o caminho, apesar de ascendente, é fácil, em estradão por meio de pinhal, mas passa rapidamente para rocha e mais rocha, enquanto a vista se torna ampla e cada vez mais bela e agreste. Podemos observar Loriga e surge-nos em frente, imponente e assustadora, a "garganta" com o mesmo nome que nos dispúnhamos a vencer! A certa altura, há um desvio para o sítio onde se despenhou o avião da RAF (força aérea inglesa), durante a 2.ª Guerra Mundial, matando todos os seus 6 ocupantes que ainda hoje ocupam um lugar destacado na memória coletiva e no cemitério da vila.

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Seguem-se uma série de covões, partes do percurso planas com vegetação e uma ou outra fonte de onda brota água cristalina que forma pequenas lagoas. Pequenos oásis, cheios de vida, no meio da rocha brutal. Aproveitamos para recuperar o ritmo neste trecho onde, apesar da sua curta extensão, era uma parte do trilho onde se podia correr (mas também onde apetecia ficar).

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Passamos o Covão da Areia, de seguida o Covão da Nave, sempre num cenário magnífico com vistas deslumbrantes. Atravessamos a barragem da Lagoa do Covão do Meio e foi nessa altura que o humor da Serra mudou, parecendo já estar farta da nossa intrusão e um nevoeiro espesso nos envolveu de repente. O resto do percurso foi feito num ambiente e paisagem que pareciam não ser deste planeta. Passamos entre as Lagoas Serrano e do Covão das Quelhas onde ainda encontrámos neve que acrescentou mais encanto a todo o cenário que nos rodeava. A certa altura, a sinalização muda e há um desvio para a Torre com marcas azuis. Seguimos por aí e, finalmente, avistamo-la! A parte final é menos estimulante porque parece que nunca mais chegamos e a progressão é dificultada pelo piso irregular, numa mistura de erva compacta e terra, com covas pouco visíveis que era preciso evitar com cuidado.

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Terminamos a aventura com um chá quente numa esplanada fria (os cafés da Torre estavam impossíveis, cheios de gente) enquanto aguardávamos pelo nosso Táxi que, em menos de meia hora, nos levou de volta a Loriga.

Inicialmente, ainda ponderámos fazer o retorno pelo mesmo caminho, mas, atendendo ao nevoeiro cerrado que ainda permanecia, achamos que já tínhamos tido aventura suficiente para um dia e outras nos esperavam nos dias seguintes!

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Foi um dos nossos trails que colocamos facilmente no Top 10 e que recomendamos a todos os trail runners. De preferência, em época com pouca neve, claro. Conhecer a Serra da Estrela desta maneira é gravá-la para sempre na memória e no coração.

SUBIDA DA SERRA DA ESTRELA PELA GARGANTA DA LORIGA

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